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Inserida nos 17ºs Encontros da Imagem, que decorrem em vários espaços culturais da cidade, de 25 de Setembro a 24 de Outubro, o espaço de Braga da Galeria Mário Sequeira apresenta as exposições "Retratos Pintados" de Ângela Mendes Ferreira e "Dipticos do Mesmo" de Rubén Ramos Balsa.
Ângela Mendes Ferreira Nascida a 25 de Outubro de 1975, Ângela Mendes Ferreira é natural de Felgueiras onde passou a infância e a adolescência. É licenciada em Direito pela Universidade do Minho da cidade de Braga, onde exerceu Advocacia e cursou Fotografia, tendo a sua obra sido inserida em várias exposições individuais e colectivas, bem como foi publicada um obra de Fotografia e texto sobre a Índia Portuguesa. Optando por uma carreira no domínio da Fotografia realizou no ano de 2003, como bolseira da Embaixada Real dos Países Baixos, um mestrado europeu em Multimédia e Tecnologias na área da Fotografia Digital na Utrecht School of Arts. Como dissertação de mestrado efectuou um estudo antropológico e imagético estudou as comunidades indígenas do Estado de Amazonas e Ceará. Em paralelo colabora como docente na Faculdade de Comunicação e Imagem da Grande Fortaleza - Brasil nas áreas de Fotografia e Estética de Arte. É pós-graduada em Direcção Artística pela Escola Superior Artística do Porto. Vive no Brasil, onde é directora artística e curadora de projectos na área de Comunicação e Imagem.
Retratos Pintados Quando se pinta e busca o real?
Retratos Pintados reúne fotografias recolhidas durante a construção da tese de mestrado da Faculdade de Artes de Utrecht da Holanda e corresponde a um ensaio sobre a identidade indígena das Tribos dos Estados de Amazonas e Ceará/ Brasil na sua relação com a Fotografia e o Retrato. Cada fotografia traz uma, ou muitas das palavras que representam um retrato, perpetuado aqui pelos traços da Pintura. A antiga técnica de retratação da imagem individual e/ou familiar é contada sob o ponto de vista da pintura que se dispõe a mostrar da melhor maneira as fisionomias, os traços psicológicos e os anseios dos retratados. Desde o final do século XIX, alguns artesãos decidiram oferecer um elemento a mais à nascente técnica fotográfica. Literalmente, tratava-se de um colorido especial, um retoque artesanal que, com o passar do tempo, também acumulou a função de restaurar os primeiros retratos. Simbolicamente, trata-se de uma reprodução e uma fantasia em torno da memória. Seja ela, uma memória individual ou recontando momentos significativos da vida familiar, sobretudo, seus rituais de passagem, por vezes até com uma certa tonalidade fictícia. Na sua essência Retratos Pintados cruza a linguagem conceptual e artística de um planeta habitado por uma infinidade de imagens que nos levam a reflectir sobre o real entendido como inacessível. Possuir o mundo na forma de imagens é reexperimentar a irrealidade e o carácter distante do real. Pretende esta mostra narrar a assumida ou recriada ligação do homem com a Fotografia, por vezes sagrada, a possível inocência do olhar, a hipotética alegria, o possível amor ou a surpreendente interrogação acerca do tempo. (Ângela Mendes Ferreira - Ceará, Brasil, Agosto, 2004 - Fonte: Galeria Mário Sequeira)
Rubén Ramos Balsa Nasceu em Santiago de Compostela; Espanha, em 1978. Estudou Belas Artes na Faculdade de Belas Artes de Pontevedra, Universidade de Vigo, 1996-2001. Frequentou o curso de Doutoramento As Formas da Arte como Construccións Posibles na Universidade de Vigo e na Universidade Politécnica de Valencia, 2001-2003, e realizou o curso de pós-graduação Inter(medios)_inestabilidad, creación y cultura digital, Pontevedra, 2004. Durante a sua formação participou em oficinas com diversos artistas, como Marina Abramovic, Esther Ferrer, Joan Fontcuberta ou Manuel Vilariño. Desde 2001 é investigador bolseiro da Universidade de Vigo. Entre outros prémios, em 2003 recebe o 1º Prémio de Artes Plásticas do Auditório da Galiza e o 1º Prémio do I Concurso de Fotografia Purificación Garcia. Actualmente reside em Santiago de Compostela.
Dipticos do Mesmo.
As agulhas do tempo
Talvez o tempo seja uma das premissas de mais difícil codificação e análise. Rúben Ramos ficou louco ao tentar agarrá-lo, notando-se da mesma forma como com Félix González-Torres e os seus relógios de parede. O truque ou método estará no processo, no próprio cuidado de funcionamento, que este autor demonstrava na exposição na galeria Marisa Marimón Unha pelicula de peí VIII, registando a casualidade num arrojo de delicadas purezas. (…) O impulso de jovem artista leva-o a dispersar e a desvendar surpresas, porque para Rúben Ramos tudo deve ficar suficientemente claro. Todas as peças actuam, deste modo, de exercícios práticos, e assim o deve entender o visitante, capturando o itinerário em idas e voltas contínuas: girassóis que medram e registam o seu crescimento, plantas de referências evolutivas, fotografias de mudanças mentais (imperceptíveis) e narrativas plenas de jogos, sobretudo no Vídeo 1,2,3 Macaquinho Chinês que instala na última das salas, onde a sensação é de não-narração, uma ambiguidade expositiva certamente interessante. A decisão de "correr o risco de " poder fazer-se" oferece-se plena de sinceridade, de possibilidades. E descobertas, cumplicidades, deslocações expositivas e rupturas disciplinares dum artista que fala sempre do atraso, não na arte mas sim no tempo. (Excerto de José Manuel Lens. Revista Tempos.2003 - fonte - Galeria Mário Sequeira)
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