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| Correio do Minho |
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População de Tadim apela ao diálogo para salvar Estação
Dalila Monteiro
Um magusto organizado anteontem pela população da freguesia de Tadim serviu para contestar a demolição da Estação da CP. Os moradores questionam: "Demolição porquê... só esta?". Os tadinenses vão espe- rar pelo resultado das negociações em curso com os responsáveis da REFER, no sentido de ser poupada a demolição da secular Estação de Caminhos de Ferro da freguesia, ameaçada pelo projecto de modernização do ramal de Braga. Só depois poderão avançar com um abaixo-assinado de protesto, garante Dario Silva, um dos promotores do Magusto de S. Martinho, realizado no Largo da Estação. "O texto está redigido, e se a REFER entender que faltam assinaturas, nós avançamos com o abaixo-assinado para impedir a demolição", responde. "Vamos conservar o edifício", garante Dario Silva que alega que, após ter tomado conhecimento do protesto da população de Tadim, a REFER demonstrou abertura para a revisão do processo de demolição do antigo edifício. O projecto inicial da REFER para a freguesia de Tadim prevê uma nova estação de caminhos de ferro, com o dobro do tamanho da actual. Este é o ponto da contestação dos novecentos residentes locais que apelam à manutenção do actual edifício da CP, sem para isso, inviabilizar um novo edifício, "nem que seja mesmo ao lado deste". A demolição da Estação da CP, em Tadim, caiu como uma autêntica "bomba surpresa" sob a freguesia que apela agora a intervenção das autoridades políticas locais junto da REFER, no sentido de ser considerada a preservação do imóvel. Convidado para o magusto, Jorge Matos, vereador comunista na Câmara de Braga, defende a solução apresentada pela população para o edifício uma vez que poderá, no futuro, "ter muita utilidade para a freguesia". "Creio que há um conjunto de questões nesta linha férrea que são símbolos da ferrovia nacional" como, por exemplo, "a adaptação interior do edifício que será mais acessível em termos de gastos financeiros" diz Jorge Matos equiparando o desaparecimento deste "equipamento social" com a extinção dos edifícios das antigas escolas primárias do país. "É um erro", insiste, ouvindo da boca de uma residente que "a gente não sabia que isto ia mesmo abaixo" lançando dúvidas sobre o alegado silêncio mantido quanto ao futuro da Estação de Tadim. Os contestatários não entendem porque é que a REFER inviabilizou a sua manutenção contrariando o cenário que ocorrerá nas restantes estações ao longo da via férrea, incluindo a de Arentim, Nine e Braga, cujas remodelações estiveram em negociações com as entidades políticas locais e a REFER. "É destruir gratuitamente", adianta Dario Silva. "Seremos nós filhos de um deus menor? Não acre- dito nisso", diz, esperando que "este não seja a última festa de S. Martinho no Largo da Estação", em Tadim. "Mas se esta for a despedida, será", última Dario Silva numa desalento face à solução.
Magusto contraria desilusão Por entre as castanhas assadas, no clarão enorme de uma fogueira de espigas de milho despidas e toras velhas de madeira, os moradores de Tadim manifestaram-se na noite de S. Martinho, contra a demolição da Estação que, para além dos seus 127 anos, guarda na memória da população local, "amores descobertos" e milhares de dias por entre o cheiro típico das linhas de comboios. A iniciativa serviu para alguns residentes entoarem mais alto a voz de indignação e reclamarem a importância da antiga casa. "Até há 25 anos, só alguns é que tinham viaturas próprias para se deslocarem, e, por isso, o comboio era o meio de transporte utilizado por todos", realça Maria Conceição Pinto, residente há 26 anos na freguesia de Tadim. Juntamente com esta moradora, outros depoimentos acompanharam o estalar das castanhas na noite de S. Martinho, contando as estórias da velha estação de comboios do tempo em que "muitos casais vinham para aqui namorar". Aliás, dizem os residentes, "esta estação deu lugar a muitos casamentos na freguesia". Memórias que ninguém apaga, nem mesmo se a demolição for por diante, como as do último chefe da Estação de Tadim. Alentejano, Luís Lacão, agora com 55 anos, pediu esta semana rescisão de contrato com a Refer porque, "não queria ir para outro local, quem sabe distante daqui". Pois "aqui perto" – em Ruílhe - se instalou em 1976, quando casou e pediu a transferência para Tadim. Da freguesia embarcavam dezenas de passageiros, por ser uma excelente via de acesso para todo o lado, ajudando a fortalecer a economia local. "Havia muito trabalho, muitos despachos de mercadorias como as mobilias que eram fabricadas cá para depois seguirem para toda a parte", relembra Luís Lacão atento aos tempos em que "ainda haviam bilhetes" e gente para apagar a tristeza que a população agora sente com a morte anúnciada do edifício secular. "Se isto não acontecesse poderia trabalhar mais uns 4 anos até à reforma", finaliza. De resto, a população espera que esta venha a ser "uma história de amor feliz". |
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[13-11-2002] [cm] |
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